Itanhém-Bahia

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Itanhém é um município brasileiro do estado da Bahia, situado na região do Extremo Sul. Sua população estimada em 2016 era de 20.554 habitantes.

Segundo a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), o município de Itanhem possuía, em 2014, o terceiro maior rebanho bovino da Bahia, com 162.493 cabeças de gado.

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História

As primeiras incursões pelas terras hoje componentes do Município de Itanhém, deram-se na faixa fronteiriça com Minas Gerais, entre 1918 e 1924. Iniciou-se pela ocupação das margens do ribeirão das Umburanas, córrego da Umburaninha, Manoel Antônio, João Resende, Água Preta e Rio Itanhém.

Atraídos pelas formidáveis qualidades das terras, os mineiros vinham seguindo as margens do rio Itanhém, desde suas nascentes em seu Estado natal, regiões onde já fixavam povoações-bases, como Águas Formosas, Machacalis e outras. A terra muito boa, com rica flora e fauna, onde existiam muitos produtos vegetais de colheita fácil por meio da apanha, faziam com que levas e mais levas de aventureiros e exploradores se adentrassem sempre mais pelas áreas nunca dantes pisadas, senão pelo selvagem, do qual ainda há, em nossos dias, significativa representação: a tribo Machacalis, em reserva a eles destinada pela FUNAI, na região vizinha, já no Estado de Minas Gerais.

Itanhém surgiu pela necessidade premente de uma aglomeração, onde os colonos pudessem encontrar para aquisição os gêneros de primeira necessidade que não produziam nas terras, e também encontrar meios de escoamento do que produziam. Foi com essa visão que um dos colonos, SIMPLICIO BINAS, mineiro, desbravador, no ano de 1924, com uma caravana de 40 pessoas, entre filhos e amigos, vindos da Umburana, acamparam nas margens do córrego de Água Preta, na propriedade do Sr. João Roxo que era muito amigo e velho conhecido do Sr. Simplício, pois anteriormente moravam na mesma região. Para chegar neste lugar eles tiveram que abrir estrada de facão e machado. Devido a grande amizade que tinha por Simplício Binas, o Sr. João Roxo doou-lhe parte destas terras.

Como o Sr. Simplício tinha trazido 31 cabeças de gado, 26 de porcos e algumas galinhas começou a fazer roças para criar os animais. Depois das roças, começou a fazer casas onde chegaram a fazer 30 casas de taipa na atual rua Medeiros Neto. Depois começaram a chegar os exploradores da poaia (cephaelis ipecacuanha) – planta medicinal tendo sua raiz usada no combate a tosse, bronquite, coqueluche e disenteria amébica – e os exploradores das peles de animais silvestres (onças, jacarés, antas, veados, macacos, etc.) e mais pessoas iam chegando. Essas casas construídas foram doadas pelo Sr. Simplício Binas a todos que aqui chegavam, fazendo doação também da área para implementação e crescimento deste lugar. A partir daí o lugarejo foi desenvolvendo até chegar a denominação de povoado de Água Preta.

Outro fator que trouxe muito aventureiro foi o aparecimento de riquezas minerais. Constatou-se a existência de rica jazida de pedras preciosas, tais como, pedra azul (águas marinhas), berilo, principalmente, na região hoje compreendida pelo distrito de Ibirajá e Salomão.
Os primeiros exploradores e comerciantes que aqui chegaram foram o Sr. Sady Teixeira, Joaquim Ferreira, João Resende, Antônio Grosso e Antônio Couve. Posteriormente vieram os grupos de famílias: os Afonso, os Pedra, os Calixto, os Canelas, os Resende, os Quaresma e outros, provenientes dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e de outras regiões da Bahia.

O acesso comercial era feito para Nanuque, em Minas Gerais, onde existia a ferrovia Bahia-Minas, com regular escoamento dos produtos da terra. Percorrendo cerca de 120 Km, por meio de tropas de burro, os produtos agrícolas eram assim deslocados, o gado bovino e o suíno, também seguiam a mesma rota.

A cerca de 180 Km distante de Alcobaça, a sede Municipal da jurisdição, o único vínculo de ligação era, precariamente o administrativo. O acesso quase inexistente, apesar de pouco desenvolvida a Povoação, por outro lado, tendo a seu favor grande extensão territorial de que se compunha o distrito único do então município de Alcobaça. Os líderes da sede Municipal só viam uma chance viável por via administrativa de se fazer presente o Poder Municipal neste lugarejo, criando-se uma sede distrital. Em 1933, com o topônimo de Nossa Senhora de Itanhém, a antiga aglomeração de Vila de Água Preta assumiu a categoria de Vila, com a Divisão Administrativa do Brasil relativa àquele ano.

Com a elevação à categoria de Sede Distrital passou a receber, de maneira regular, mais atenção dos órgãos públicos. Passou a vir o padre de Alcobaça, mesmo que poucas vezes ao ano. Vieram também policiais, subdelegado de polícia e precaríssima escola. Os estabelecimentos comerciais começam se multiplicar pouco a pouco.

As terras foram ocupadas com a pecuária bovina mais maciçamente e a suína em menor extensão, mas, de muito peso econômico nos primeiros tempos; pequenas criações de caprinos, ovinos e aves, e, eqüinos, muares e asininos apenas para atendimento das necessidades de serviços.
A formação de grandes áreas de pastagens, seguidas principalmente das culturas de feijão, milho, mandioca e arroz, foram a forma mais aplicada na maioria das áreas rurais do Município, com o conseqüente desmatamento incontrolado. Mais tarde, começaram a se introduzir a cultura do café, cacau, banana, e a laranja e outros cítricos apenas para subsistência.

Geografia

Demografia

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Itanhém é considerado médio, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no ano de 2010. Seu valor era de 0,637, sendo o 51º maior, entre os 417 municípios da Bahia e 3357º maior, entre os 5 565 municípios do Brasil. Considerando apenas a educação, o índice era de 0,525, o índice da longevidade era de 0,790; e o de renda era de 0,624. Entre 1991 e 2010, a renda per capita média do medeirense subiu de R$ 164,42 para R$ 388,04, apresentando um aumento total de 136,01%. A proporção de pessoas pobres, ou seja, com renda domiciliar per capita inferior a R$ 140,00 era de 27,57% em 2010. Já a população considerada extremamente pobre, com renda domiciliar per capita inferior a R$ 70,00, era de 10,91% no mesmo ano. O Coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,54.

Em 2016, a população do município foi contada pelo IBGE em 20.554 habitantes. Porém no censo de 2010, quando a cidade possuía 20.216 habitantes, foram levantados dados de que 10.295 (50,93%) eram homens e 9.921 (49,07%) eram mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, 14.206 habitantes (70,27%) viviam na zona urbana e 6.010 (29,73) na zona rural. Entre 2000 e 2010, a população de Itanhém decresceu a uma taxa média anual de 0,72%, enquanto a do Brasil aumentou1,17%. O censo também apontou que a taxa de urbanização do município era de 70,27%. Da população total em 2010, 4.938 habitantes (24,43%) tinham menos de 15 anos de idade, 13.007 habitantes (64,34%) tinham de 15 a 64 anos e 2.271 pessoas (11,23%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 72,4 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,4.

Clima

O clima de Itanhém é tropical (do tipo Aw na classificação climática de Köppen-Geiger), com muito mais chuva no verão do que no inverno e temperatura média anual de 24,5 °C. Agosto é o mês mais seco do ano, apresentando média de 46 mm e novembro é o mês de maior precipitação, com 174 mm de média. O mês mais quente do ano é Janeiro com temperatura média de 26,3 °C, enquanto Julho é o mais frio, com média mensal de 21,8 °C. A precipitação média anual é de 1152 mm.

Economia

Em 2010 havia 14.039 habitantes acima de 18 anos no município. Dessa faixa etária, 8.324 (59,3%) eram economicamente ativos e estavam ocupados, enquanto outros 1.127 (8%) estavam desocupados. Os demais 4.588 (32,7%) foram considerados economicamente inativos. Das pessoas ocupadas, 32,27% trabalhavam no setor agropecuário, 0,14% na indústria extrativa, 4,31% na indústria de transformação, 6,49% no setor de construção, 0,29% nos setores de utilidade pública, 15,78% no comércio e 36,38% no setor de serviços. O Produto Interno Bruto (PIB) de Itanhém em 2014 era de aproximadamente 190 milhões de reais. Do valor total do PIB itanhense no referido ano, 65,3 milhões advieram do setor primário, 10,2 milhões do setor secundário, 53,9 milhões do setor terciário, 53,3 milhões da Administração pública e 6,4 milhões foram arrecadados com impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O PIB per capita era de 9,1 mil reais.

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