Caetité-Bahia

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Caetité é um município do estado da Bahia, no Brasil. Distante 645 Km da capital do estado, Salvador possui uma população de 50.861 habitantes, conforme dados do IBGE de 2018. Com mais de dois séculos de emancipação, a cidade foi polo cultural da região sertaneja da Bahia: foi a terra natal de figuras como Cezar Zama, Aristides Spínola, Anísio Teixeira, Nestor Duarte Guimarães, Waldick Soriano, Haroldo Lima, Prisco Viana, dentre outros. Foi, ainda, pioneira na educação regional, com a primeira escola normal do sertão baiano.

Seu nome deriva da língua tupi: significa” mata da pedra grande”, através da junção dos termos ka’a (mata), itá (pedra) e eté (verdadeiro). É uma referência à formação rochosa a leste da cidade conhecida por “Pedra Redonda”.

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História

Território originalmente habitado por indígenas da linhagem jê (tupinaens e pataxós), mas há autores que referem que no final do século XVI os índios Maracás (ou Paiaiás) ocupavam a região entre a serra do Sincorá e a serra de Caetité, havendo também a referência de que no século seguinte a região entre Minas do Rio de Contas e Caetité era ocupada pelos índios Aracapás.

No século XVII, Caetité constituía-se em núcleo de catequese. Do final do século, data a fazenda São Timóteo, entreposto do ouro que descia das chapadas para o porto de Parati (veja, neste sentido, Estrada Real), no Rio de Janeiro.

Núcleos de povoamento encontram registros em sítios arqueológicos de mais de 6 mil anos, que motivaram a criação do Museu do Alto Sertão da Bahia (MASB), em fase de implantação em Caetité.

Em 1724, passou a pertencer à Vila de Minas do Rio de Contas, emancipada de Jacobina; em 1754, foi o arraial elevado a freguesia.

No final do século XVIII e começo do XIX, a população se mobilizou, comprando, à Coroa Portuguesa, o direito de tornar-se vila, emancipando-se finalmente de Rio de Contas em 5 de abril de 1810, data maior da cidade.

Foi elevada a cidade em 1867. De seu território, originaram-se 47 municípios. Tão logo emancipou-se, a vila participou indiretamente das lutas pela Independência da Bahia, apoiando o Governo Provisório instalado na Vila de Cachoeira. Encerradas as lutas contra as tropas portuguesas no Recôncavo Baiano, em Caetité teve lugar o episódio do Mata-maroto, lutas entre brasileiros e portugueses, que se seguiram a 1823.

Foi, em 1817, visitada pela expedição de Spix e Martius, guardando boa impressão nos naturalistas, que consignaram a presença de uma escola régia de latim.

Morada do Major Silva Castro, herói das guerras de independência, teve uma filha, Pórcia, raptada por Leolino Pinheiro de Azevedo, num drama que inspirou, no século seguinte, o romance Sinhazinha do acadêmico Afrânio Peixoto. Avô do poeta Castro Alves, a presença de Silva Castro foi um dos motivos pelos quais a cidade ainda hoje comemora o 2 de julho, data máxima do estado da Bahia.

No final do século, foi visitada por Teodoro Sampaio, deixando o grande engenheiro a seguinte máxima: “Caetité assemelha-se ao viajante qual uma Corte do sertão”.

Cresceu em importância no cenário nacional, com os tribunos Aristides Spínola (ex-governador de Goiás e mais jovem parlamentar no Império) e Cezar Zama, grande polemista e maior adversário, na tribuna, de Rui Barbosa – ambos abolicionistas e republicanos.

Em 1894, fez o primeiro governador eleito do estado, Rodrigues Lima, genro do Barão de Caetité, assistindo pela primeira vez a ação efetiva do poder público estadual, com a modernização das instalações públicas (dentre outras ações, a construção de açudes, Cemitério Municipal, Mercado e a Primeira Escola Normal do alto sertão).

No começo do século, assistiu à instalação da Missão Presbiteriana Brasil-Central, com a morada na cidade do pastor Henry John McCall, e fundação da Escola Americana. Isso veio a incrementar a sua condição de polo educacional sertanejo, ampliado ainda mais com a instalação do colégio jesuíta São Luiz Gonzaga.

A política local, nesta época, era bipartite entre os Rodrigues Lima, na pessoa do coronel Cazuzinha, e o coronel Deocleciano Pires Teixeira (pai de Anísio Teixeira). Apesar das grandes dificuldades, foi a primeira cidade do interior baiano a ter uma rede de energia elétrica – verdadeira epopeia vivida pelo alemão Otto Koehne. Também a rede de água, a construção do Teatro Centenário e outras, são fruto da índole pioneira de seu povo, progressos até então ausentes em praticamente todas as cidades do país – ressaltando-se figuras como Durval Públio de Castro, na efetivação dessas melhorias.

No cenário político-cultural, a cidade é berço de figuras como Nestor Duarte, a pintora Lucília Fraga, os escritores Marcelino Neves, João Gumes, Nicodema Alves e, mais recentemente, Vandilson Junqueira, Erivaldo Fagundes Neves e outros. João Gumes foi, pessoalmente, o responsável por instalar em Caetité o primeiro jornal do alto sertão: o periódico “A Pena”, que hoje constitui-se no principal acervo do Arquivo Público Municipal de Caetité.

Teve sua diocese instalada em 1915, sendo empossado o primeiro bispo – dom Manoel Raimundo de Melo– e foi este mais um fator de desenvolvimento da cidade: a construção do primeiro aeroporto do sertão baiano, escala dos voos da então Cia Aérea Sadia, o Círculo Operário, o Seminário São José e a Rádio Educadora Santana – foram alguns dos benefícios derivados da elevação da paróquia em diocese.

Na educação, despontou o nome de Anísio Teixeira, lutando por reerguer a Escola Normal, depois transformada no Instituto que leva seu nome. Ali estudaram figuras como Newton Cardoso, Georgino Jorge dos Santos, Tânia Martins e muitos outros.

A ditadura militar de 1964 foi um duro golpe para a cidade: secularmente defensora da liberdade, sua gente pareceu ao regime como potencial risco; os assassinatos obscuros de Anísio Teixeira e do poeta Camillo de Jesus Lima fizeram com que o tradicional polo de educação e cultura assistisse ao declínio, nas décadas que se seguiram a 1970. Apesar disso, foi ali que teve início o trabalho de documentação das atrocidades do regime, capitaneado pelo pastor Jaime Wright.

Site oficial da cidade