Abaíra-Bahia

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Abaíra é um município do estado da Bahia, no Brasil. Sua população é de 8.316 habitantes, segundo o censo de 2010 do IBGE.

Abaíra é um termo originário da língua tupi antiga: significa “abundância de mel”, pela junção de abá (abundância) e a’yra (mel).

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História

Através da história do Brasil, tomamos conhecimento de que o que evidenciava a fundação de uma cidade no período colonia lera um marco simbólico, como a implantação de um pelourinho para castigar escravos e criminosos ou a celebração de uma missa.

Em Abaíra, o único testemunho que prova sua origem é a Igreja Matriz datada de 1879, hoje bastante descaracterizada de sua arquitetura inicial.

No final do século XIX, o cidadão José Joaquim de Azevedo, morador do Curralinho, recebeu, de herança, uma fazenda, onde passou a residir. Tal fazenda era chamada “Capoeira de Cana”, devido à grande quantidade de cana ali existente.

José Joaquim de Azevedo, vendo a necessidade daqueles que o procuravam, achou-se na obrigação de abrir um comércio de gêneros alimentícios para atender aos mineradores que se deslocavam do Bom Jesus do Rio de Contas para Mucugê e também o pessoal dos arredores. Com o passar do tempo, tornou-se um hábito aos domingos as pessoas procurarem a “Venda” para tomar uma boa cachaça que ali era fabricada. Foi por isso que José Joaquim de Azevedo recebeu o apelido de “Zé da Venda”.

Com o passar dos tempos, muitos daqueles frequentadores da “venda” e mesmo os que passavam em busca de minérios, ficaram desejosos de se estabelecerem na cidade. Zé da Venda começou, então, a doar terras para que eles construíssem ao redor da igreja. Assim, foi crescendo um povoado com o nome de “Venda” num lugar conhecido como Capoeira de Cana.

Zé da Venda era um homem muito religioso e, com o crescimento dos frequentadores da venda, sentiu a necessidade de construir uma igreja. No início, os atos religiosos eram celebrados numa palhoça, até que a igreja ficasse pronta. Não esquecendo que, naquela época, se sepultavam os mortos junto à igreja, sob a proteção do Senhor, conforme era na tradição dos colonizadores portugueses.

Zé da Venda mandou construir uma igreja, que logo ficou pronta no ano de 1879. Ele mandou buscar uma imagem para ser a padroeira da cidade. No dia da chegada da imagem, organizou uma festa que aconteceu no dia 2 de fevereiro de 1879. Para esta festa, foram convidados várias pessoas de outras localidades. A recepção da padroeira Nossa Senhora da Saúde ocorreu num lugar chamado Gajé.

Todos esses acontecimentos tiveram, como principal patrocinador, Zé da Venda. Foi realizada a 1ª missa pelo padre da cidade de Bom Jesus do Rio de Contas, atual Piatã, o reverendíssimo padre José de Souza Barbosa, conhecido como padre Souza.

A igreja foi construída um pouco virada para o lado esquerdo. Isto é, com a frente virada para a casa de Zé da venda, de onde, caso adoecesse, poderia assistir à missa de sua janela. Ele era possuidor de muitos escravos, os quais ajudaram na construção da igreja.

José Joaquim de Azevedo se apaixonou por uma jovem de nome Ana Vitória que morava próximo dali. Todavia, essa jovem gostava de um moço que residia num lugar denominado Fernando, chamado Antônio Precasso, moço que viajava com tropa e gostava de tocar violão. E com ela se casou, tendo três filhos: Antônia Amélia, Augusta e Maria Etelemina.

Zé da Venda, por sua vez, contraiu matrimônio com Maria Rosa, com quem teve um filho de nome Antônio Vitorino Azevedo. Este seu filho casou-se com Melânia Rosa de Oliveira e ambos tiveram três filhos: Agripino Augusto de Azevedo, Simpliciana Azevedo e Agemiro Azevedo. O último faleceu aos oito anos de idade. Já os outros Agripino e Simpliciana foram criados por seu avô paterno, Zé da Venda.

Quis o destino que o seu sonho realizasse. Zé da Venda ficou viúvo e Precasso também faleceu depois de ter contraído uma febre em uma de suas viagens com tropa, deixando Ana Vitória viúva com três filhos. Então Zé da venda desposou sua amada Ana Vitória.

Com a igreja construída e a expansão do povoado, foi criado o distrito de Tabocas, devido à grande quantidade de uma espécie de bambu que existia às margens do rio Taboquinha.

Pela lei municipal nº 35 de 24 de abril de 1916 do município que hoje é Piatã, foi aprovado, assim como pela lei estadual de 9 de agosto de 1916, que o distrito de Tabocas tivesse seu nome alterado para Abaíra. Esse nome foi tirado de uma obra do romancista Lindolfo Rocha dos termos da língua tupi que havia neste livro: Aba: Abundância + Íra: Mel = Abaíra: Abundância de Mel (tal etimologia, no entanto, é contestada pelo dicionário de tupi de Eduardo de Almeida Navarro).

Abaíra pertenceu a Piatã até o dia 22 de fevereiro de 1962, quando foi desmembrada e emancipada pela lei nº 1.622 de 22 de fevereiro de 1962.

Site oficial da cidade